Quem sou
Não sei dizer exatamente em que momento as casas antigas, com suas portas, janelas, formas e cores, começaram a despertar tanto encantamento em mim.
Talvez essa paixão tenha nascido na infância, vivida em uma cidade serrana, cercada por construções antigas e coloridas, cheias de personalidade, lembranças e histórias. Casas que pareciam guardar vidas inteiras atrás de cada janela.
Foi desse afeto que surgiram minhas primeiras casinhas-vaso. No início, elas eram feitas com caixas de leite, revestidas externamente com madeira. Como eram impermeáveis, podiam receber pequenas plantas e, assim, aquilo que era apenas uma ideia começou a ganhar forma, cor e vida.
Durante muito tempo, produzi minhas casinhas dessa maneira, até que uma amiga me convidou para participar de um curso de cerâmica. A partir daquele momento, um novo mundo de possibilidades se abriu diante de mim.
Com a argila, passei a criar casinhas-vaso e peças utilitárias em diferentes tamanhos, formas e estilos. Mas, junto com todas essas possibilidades, surgiu também um grande desafio: conhecer e compreender cada etapa do processo cerâmico.
A cerâmica ensina sobre tempo, paciência e entrega. Seu resultado final é sempre um pouco imprevisível. O fogo transforma a argila, as cores podem surpreender e cada fornada traz novas descobertas.
Entre erros, acertos e resultados inesperados, meu encantamento só aumentou. Vieram as pesquisas, os cursos, a busca constante por conhecimento, as primeiras vendas, as feiras e, acima de tudo, a certeza de ter encontrado algo que verdadeiramente me apaixona.
É nessa imprevisibilidade que mora a magia do artesanal. Cada peça é modelada e esmaltada à mão, carregando as marcas de todo o processo e tornando-se única. Mesmo quando tento repetir uma criação, nunca existirá outra exatamente igual.
Para mim, a cerâmica é afeto, memória e encantamento. É transformar a argila em objetos que levam beleza, aconchego e um pouco da minha história para a casa de outras pessoas.
Sou Luiza Helena, criadora da Luizah Cerâmica, e essa é a história de como a cerâmica entrou na minha vida — e, delicadamente, passou a fazer parte de quem eu sou.